Qual é o seu nível no bodyboard? Você sabe mesmo?
Parece uma pergunta fácil. Só que a resposta errada custa caro: custa susto no mar, dinheiro em equipamento que não serve para você e meses de treino em cima de uma manobra que ainda não era a sua vez de treinar. No pior dos casos, custa a vontade de entrar na água.
Eu abri uma caixinha no Instagram pedindo que as pessoas contassem um momento intenso no mar. A história se repetia: a pessoa se colocou numa situação que o nível dela ainda não dava conta, levou um susto e passou anos pagando por isso.
- Três motivos para você saber o seu nível
- A história do Pedro e por que ela se repete
- Os quatro níveis explicados por técnica, não por tempo
- Um quiz para você descobrir o seu
Prefere assistir? Este artigo é a versão escrita da aula, com o quiz que eu prometi no vídeo.
Três motivos para você parar de chutar o seu nível
Eu podia ficar horas falando sobre isso, mas separei os três motivos que mais aparecem no dia a dia dos meus alunos.
1. Escolher o pico certo
Saber o seu nível permite decidir quando você vai se colocar à prova num pico mais intenso e quando vai surfar numa praia em que está no controle. As duas coisas fazem parte do treino. O problema é fazer as duas na doida.
2. Não gastar dinheiro à toa
Se você quer comprar uma prancha com bom custo-benefício, a primeira coisa é saber o seu nível. Sem isso, você compra pela foto e depois descobre que a prancha não conversa com o seu surf.
3. Treinar a técnica exata para o seu momento
Se você é intermediário, não precisa treinar como fazer um invertido aéreo ou dropar El Frontón. Ainda existem fases até chegar à técnica daquele tubo, daquela onda e daquela manobra.
“O seu nível não é para te limitar. Ele é o mapa: mostra onde você está e qual é o próximo ponto.”Isabela Sousa
Ser iniciante, estreante, intermediário ou avançado não diz se você é melhor ou pior. Na água todo mundo é igual. O mar não distingue iniciante de pro.
A história que eu recebo toda semana
Vou chamar ele de Pedro, porque não pedi autorização para usar o nome dele. Ele me escreveu contando de um dia em Supertubos, em Peniche. O mar estava grande e ele remou numa onda da série atrasado. Um local gritou “vai” e ele entrou sem estar no tempo certo.
Caiu com a onda, bateu o rosto na areia, mordeu o lábio e levou uma série na cabeça. No dia seguinte o mar estava maior. Levou outra série grande, ficou embaixo d’água e achou que ia morrer afogado. Ficou quatro anos com ansiedade de surfar naquela praia.
O que eu vi quando fui olhar o surf dele
O Pedro fazia 360 e el rollo, mas tinha problemas importantes na base. Não falo em base certa ou errada. Falo em base funcional e base disfuncional: uma base que funciona para aquilo que você quer fazer.
A pessoa já faz manobra e se sente num nível acima. Mas manobra executada não é o mesmo que base resolvida. Dá para dar 360 com base disfuncional. O que não dá é evoluir a partir dali com consistência e segurança.
Você aprende primeiro, pratica fora da água e depois aplica dentro da água. Se entra na água na doida, aprende na doida. Não é na porrada nem no trauma: é com o conhecimento certo para o seu nível.
MANOBRA · BODYBOARD
Seu 360 pode ficar mais irado
Depois de entender o seu nível, o próximo passo é transformar a base em movimento. No mini curso Seu 360 Irado, você aprende a organizar o corpo, o peso e a rotação para construir um 360 invertido com mais controle e confiança.
CONHECER O MINI CURSO DE 360Um caminho direto para treinar a manobra com mais clareza.Os quatro níveis do bodyboard
O critério não é tempo de esporte. O que define o nível é o que você resolve tecnicamente, não há quanto tempo pega onda.
NÍVEL 1
Iniciante
Você está construindo sua relação com o mar. A prioridade não é manobra, é autonomia: passar a arrebentação, entender corrente e vala, pegar onda na espuma e começar a pegar onda formada.
FOCO AGORA: Remada, posição do corpo, passagem de arrebentação e leitura básica de mar.
NÍVEL 2
Estreante
Você já pega onda formada, faz o drop e corre na parede. As primeiras cavadas, o trimming e as tentativas de 360 começam a aparecer, mas você ainda não sabe explicar por que deu certo quando dá.
FOCO AGORA: Base funcional, tipos de cavada, linha alta e linha baixa.
NÍVEL 3
Intermediário
Você faz 360 e el rollo com alguma regularidade. Aqui mora a maior armadilha: executar a manobra apesar da base, e não por causa dela. As manobras param de melhorar e o teto aparece.
FOCO AGORA: Diagnóstico da base, trimming, escolha de linha e ataque ao lip.
NÍVEL 4
Avançado
Sua base funciona em movimento, você escolhe a linha de propósito e adapta a manobra ao tipo de onda. O próximo desafio é repetir bem sob condições diferentes.
FOCO AGORA: Consistência, técnica por tipo de onda, respiração, controle emocional e detalhe.
“Dá para dar 360 com a base disfuncional. O que não dá é evoluir a partir dali.”Isabela Sousa
O que acontece quando você pula um nível
A pessoa junta dinheiro, compra prancha nova, faz três meses de academia e viaja. Chega numa onda mais rápida e pesada do que a praia de casa. Os erros de base ficam gritantes.
O caminho não é se colocar numa situação extrema para ver se aguenta. É resolver o que está atrás da manobra para que a onda maior vire consequência, e não aposta.
- Escolha o pico pelo nível, não pela vontade do dia.
- Compre equipamento para o surf que você tem agora.
- Treine a técnica da sua fase, não a da fase seguinte.
- Reavalie a cada três meses. Nível não é tatuagem.
PARA VOCÊ REFLETIR
O seu nível é um mapa, não um rótulo
Ninguém consegue traçar um caminho sem saber de onde está saindo. Quem faz um diagnóstico honesto costuma evoluir mais rápido porque para de gastar tempo no lugar errado.
Você está treinando a técnica do nível em que está ou a técnica do nível em que gostaria de estar?
PARA VOCÊ REFLETIR
Quantas vezes você entrou no mar sem plano?
Entrar para se divertir é uma escolha. Entrar sem saber o que está fazendo costuma virar frustração. Quando sabe o seu nível, você entra com um objetivo pequeno e claro. A diversão continua, mas agora tem direção.

O PRÓXIMO PASSO
E depois do diagnóstico, qual é o plano?
Conheça o Bodyboard Pro Flying e aprenda o Protocolo PRO inteiro: base funcional, leitura, linha de onda, desbloqueio do medo, exercícios fora da água e voo.
CONHECER O BODYBOARD PRO FLYINGPerguntas frequentes
Como eu sei qual é o meu nível no bodyboard?
Pelo que você resolve tecnicamente, não pelo tempo que você pega onda. Os marcadores principais são autonomia para passar a arrebentação, correr na parede, fazer 360 e el rollo com regularidade e ter uma base funcional em movimento. O quiz deste artigo passa por esses pontos em 12 perguntas.
Quantos níveis existem no bodyboard?
Eu trabalho com quatro: iniciante, estreante, intermediário e avançado. Não é uma classificação oficial de federação. É a régua que uso com os meus alunos porque separa as pessoas pelo que precisa ser treinado em seguida.
Dá para ser intermediário e ainda ter problema de base?
Dá, e é o caso mais comum que recebo. A pessoa executa a manobra apesar da base, não por causa dela. Por isso consegue dar 360 e mesmo assim trava no ARS e no aéreo.
Saber o meu nível não vai me limitar?
É o contrário. Ele funciona como mapa: mostra onde você está e qual é o próximo ponto. Quem não sabe o próprio nível costuma ficar tentando a manobra da fase seguinte por meses sem sair do lugar.
Posso subir de nível treinando fora da água?
Pode. Base, leitura de onda, linha de onda e visualização podem ser estudadas e treinadas em terra. Depois você leva para a água já sabendo o que vai fazer.


